Este livro é uma etnografia realizada com um grupo de jovens que vendem e consomem drogas ilícitas entre pessoas de classe média e alta. A autora compila, por meio de entrevistas e observações participantes, a história de vida – que abrange quase 40 anos de experiências e transformações em uma família e em um bairro – de uma mulher traficante de drogas. São apresentadas aqui duas questões pouco estudadas na pesquisa criminológica: em primeiro lugar, a matriz de gênero, uma mulher que se tornou uma das mais importantes traficantes da zona sul da província de Buenos Aires; em segundo lugar, que o seu principal espaço de venda de drogas é um bairro de classe média alta, com clientes jovens e de classe acomodada.
O estudo de Roldán entra no mundo da venda e consumo de cocaína por jovens ricos e da elite na Argentina, mas também observa as particularidades do crime feminino. A maior parte da investigação sobre o tráfico de drogas refere-se ao comércio varejista ou “de rua”, o “drogas ao varejo” geralmente realizado por homens pobres. Mas o que acontece quando os traficantes e os consumidores não são pobres, têm pele escura e não sofrem de nenhuma desvantagem estrutural óbvia? Se nestes casos o tráfico é percebido como um desvio ou como uma subcultura criminosa, o mesmo acontece com as pessoas da classe alta?
