Eduardo José Campechano-Escalona
Chefe de Publicações do Fundo Editorial da Universidade César Vallejo
Membro do Conselho Administrativo da EuPerú
O debate acadêmico sempre se caracterizou por destacar diversas questões que demandam estratégias eficazes de difusão do conhecimento produzido nas universidades e instituições de ensino superior (IES). Um exemplo é a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Uma dessas estratégias é o uso da linguagem para fortalecer esses processos de divulgação, e é justamente na região que se encontra a oportunidade de relançar o espanhol e o português como línguas da ciência produzida nesta parte do mundo e que buscam reconhecimento na comunidade científica global.
Dados recentes revelam o potencial dessa sinergia. De acordo com o relatório de 2022 “O Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação na Ibero-América”, da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), 60% da produção científica latino-americana é publicada em outros idiomas além do inglês, com o espanhol e o português liderando. Isso demonstra um ecossistema de pesquisa robusto que prospera em sua própria língua.
As editoras universitárias latino-americanas assumiram o desafio de construir espaços de encontro como a EULAC, para explorar suas próprias perspectivas e planejar ações que promovam o multilinguismo existente na América Latina e validem a importância da ciência produzida em nossos países diante da predominância do inglês no cenário global. O bilinguismo em espanhol e português não é apenas uma opção, mas uma estratégia vital para o desenvolvimento científico da região. Como afirma a antropóloga social Hebe Vessuri, pioneira em pesquisa e ensino em estudos de ciência e tecnologia na América Latina: “A ciência em nossas línguas nos permite dialogar com nossas sociedades, resolver problemas locais e formar novas gerações de pesquisadores.”
A edição universitária em espanhol e português pode ser vista como uma estratégia para alcançar a democratização do conhecimento científico e gerar novos mecanismos de transferência de conhecimento a partir das universidades, tornando a ciência mais acessível e relevante para a população Ibero-americana, o que, por sua vez, fomenta o interesse e a participação na pesquisa. Se olharmos para o futuro da ciência ibero-americana, podemos garantir que ela será multilíngue, com o espanhol e o português como pilares para a difusã e o crescimento da pesquisa, pois isso não apenas enriquece o debate científico, mas também fortalece a identidade e a relevância da ciência na região.
Referências
Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura. (2022). O estado da ciência, da tecnologia e da inovação na Ibero-América.
