Os seis ensaios que este livro reúne referem-se, de uma forma ou de outra, a diversas entonações daquela “ilusão biográfica” de que certa vez falou Pierre Bordieu. Na verdade, pelo menos três deles estão expostos nestas páginas: como contar uma vida – os laços afetivos do espaço biográfico -, quando contá-la – antes ou depois da morte – e onde fazê-lo – papeis pessoais, arquivos, cadernetas, diários, romances -.
Articulada com a escrita, a vida emerge em alguns momentos para se desvendar em outros. Embora seja impossível defini-la, apreendê-la, encerrá-la, os textos literários aqui analisados esforçam-se por fazê-la aparecer, por transfigurá-la em letras: para conhecer-se, para reviver o passado, para reencontrar-se com quem se ama, para reter o tempo.