As Mulheres de Nenhumaparte é uma obra escrita a partir de diversos registros provenientes de relatos médico-clínicas, administrativos e pessoais que a tornam original e ousada para nos contar uma história da loucura na primeira metade do século XX em Bogotá e da vida cotidiana em que se entrelaçam as experiências dos e das moradoras do Asilo de Loucas. Como uma narradora onisciente, sua autora, Luz Alexandra Garzón Ospina, articula uma prosa apoiada em fontes de arquivo que comunica em tom íntimo o pulso emocional das mulheres que inevitavelmente chegaram ao Asilo com diagnósticos que dão conta não apenas do sujeito alienado, mas também da subjetividade e da vida emocional do sujeito moderno em contexto. […] O destino natural da mulher era o casamento, a maternidade e a proteção da sacralidade social através de sua honra e do cumprimento das suas tarefas, de tal forma que, como explica Luz Alexandra, o incumprimento do destino doméstico das mulheres poderia ser motivo de reclusão.
