Neste livro, fruto de tese de doutorado defendida em 2017 no Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), Lucas Tramontano descortina, com a mediação dos estudos sociais da ciência, o surgimento e desenvolvimento do que hoje conhecemos como o hormônio testosterona e suas implicações nos estudos de gênero e masculinidades.
Afastando-se de uma visão essencialista da descoberta científica, o autor esquadrinha o nascimento paulatino da concepção moderna de hormônios sexuais, e, entre estes, a testosterona, tida como o hormônio masculino por excelência. Conduz-nos, assim, por uma história que implica modos diversos de compreender e estruturar o corpo de homens e mulheres.
A genealogia empreendida por Tramontano passa por diferentes períodos da história do Ocidente, chegando aos dias atuais, com a síntese de diferentes hormônios em laboratório e seus usos e aplicações, em que tratamento e aprimoramento se confundem.
De tratamento para homens hipogonádicos, passando pelo uso para o aumento de rendimento, chegando à utilização com fins estéticos ou recreativos, o uso da testosterona é comum, ainda, na reposição hormonal, além de ser o principal elemento do processo de transexualização. O deslizamento entre esses diferentes tipos de consumo, afirma Tramontano, aproxima o uso médico do não terapêutico, criando ambiguidades: o acesso a essa biotecnologia e a nova gestão do corpo representam autonomia do indivíduo ou submissão às normas da bilionária indústria farmacêutica?
