Desafios para a sustentabilidade dos fundos editoriais universitários

Carmen Santisteban Llaguento*
Universidad ESAN

No vasto panorama da publicação académica, os fundos editoriais universitários desempenham um papel crucial na realização da ciência, na difusão do conhecimento e na promoção da pesquisa. No entanto, enfrentam uma série de desafios que ameaçam a sua existência, sustentabilidade e eficácia, desde limitações orçamentais até a adaptação às novas tecnologias.

As universidades peruanas enfrentam frequentemente dificuldades financeiras, que impactam todas as áreas, especialmente os esforços editoriais. A restrição orçamentária reduz a capacidade dos fundos editoriais para editar, publicar, distribuir e promover um número adequado de títulos, impede a manutenção de elevados padrões de qualidade, restringe a adoção de novas tecnologias e reduz a competitividade com grandes editoras comerciais. Sem investimento adequado, os fundos são obrigados a terceirizar e reduzir custos na produção editorial, ação extremamente contraproducente porque pode afetar a qualidade e o alcance dos textos.

Outro desafio significativo é a distribuição e visibilidade das publicações. Embora os fundos editoriais universitários produzam pesquisas de qualidade, muitas vezes carecem de profissionais especializados e de meios para garantir que seus títulos cheguem tanto à comunidade acadêmica quanto ao público em geral. A distribuição limitada, em formato físico e digital, restringe a difusão do conhecimento e reduz o impacto acadêmico dos trabalhos publicados. Além disso, a concorrência com grandes editoras comerciais, que dispõem de recursos substanciais para marketing e distribuição, coloca os fundos em desvantagem.

A adaptação às novas tecnologias é mais uma frente de batalha. A digitalização da informação transformou radicalmente o setor editorial e os fundos editoriais universitários devem adaptar-se rapidamente para sobreviver e acompanhar. Isto envolve não só a conversão de publicações impressas para formatos digitais, mas também a adoção de plataformas de acesso aberto, a implementação de ferramentas de gestão editorial online e a melhoria da infraestrutura digital para distribuição de conteúdos. No entanto, a transição digital exige investimentos significativos, conhecimentos especializados e pessoal formado, acrescentando outra camada de complexidade aos desafios existentes.

Além disso, eles devem lidar com a pressão para manter a qualidade e o rigor acadêmico ao mesmo tempo que enfrentam as limitações acima mencionadas, entre outras. A revisão por pares, um componente essencial para garantir a integridade e o rigor das publicações acadêmicas, pode ser comprometida pela falta de recursos e de tempo. Portanto, garantir revisões abrangentes e objetivas é essencial para manter a credibilidade e o prestígio das obras, mas é uma tarefa cada vez mais difícil num ambiente com recursos limitados.

O colaboração e a criação de redes são também áreas críticas que requerem atenção. Os acervos editoriais universitários podem beneficiar enormemente da colaboração com outras instituições, tanto a nível nacional como internacional. Estas parcerias facilitam a partilha de recursos, a visibilidade do seu catálogo editorial, conhecimento e boas práticas, e ajudam a superar alguns dos desafios acima mencionados. No entanto, estabelecer e manter estas colaborações requer esforço, coordenação e visão estratégica, e nem todas as instituições estão equipadas para o fazer de forma eficaz.

É importante notar que os produtos editados e publicados pelas editoras universitárias são essenciais para o avanço da ciência e das humanidades, e cada um contribui com um valor único para o debate acadêmico. Ao reconhecer e valorizar essa diversidade, podemos garantir um ecossistema acadêmico mais robusto e equilibrado, onde o conhecimento floresce em todas as suas formas, e seja acessível e perpétuo.

Em conclusão, os fundos editoriais universitários estão numa jornada muito turbulenta e com grandes desafios, no entanto, o seu papel na disseminação do conhecimento e na promoção da pesquisa é mais crucial do que nunca. É imperativo que as universidades, os governos, as empresas privadas, a sociedade civil e os leitores trabalhem em conjunto para fornecer o apoio necessário e desenvolver estratégias inovadoras para superar estes obstáculos. Só então poderão continuar a desempenhar o seu valioso papel no ecossistema acadêmico global.

*Mestra em Administração de Empresas (MBA) com especialidade em Gestão Comercial pela Universidade ESAN. Atualmente é presidente da Editora Universitária e Acadêmica do Peru (EU Peru), membro do conselho de administração da Associação da EULAC, secretária da Associação de Corretores de Texto do Peru e dirige o fundo editorial da Universidade ESAN.

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