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Livrarias universitárias. Um olhar da REUP

María Graciela Mancini
Diretora Editorial, Universidad Católica de Santa Fe
Coordenadora da Red de Editoriales de Universidades Privadas, REUP

A livraria e a biblioteca são duas das raras instituições capazes
de reconstituir em torno do livro a sociabilidade que perdemos”.

Roger Chartier

Escrever sobre as livrarias universitárias é entrar em um mundo cheio de considerações que relatam o cotidiano da vida universitária em relação aos livros e que junto com as bibliotecas e editoras fazem a maior e melhor aproximação à comunidade particular e à sociedade em geral com o conhecimento.

No presente escrito não se pretende sistematizar a tipologia das livrarias universitárias, trata-se simplesmente de descrever esses espaços particulares e as suas implicações no contexto, espaços que contêm pontos comuns mesmo quando as suas próprias características as tornam susceptíveis de diferenciação. As conversas assíduas com colegas e responsáveis das livrarias universitárias das instituições que integram a nossa Rede de Editoras Privadas (REUP), somadas a múltiplas leituras e trocas de opiniões em diversos encontros nacionais e internacionais, são o suporte que endossamos as ideias que aqui compartilhamos.

É um olhar a partir da experiência de habitar a universidade e a partir da paixão pelos livros. Sou editora, mas o vínculo com as livrarias é imprescindível para esse encontro permanente para a procura de qualquer título que capture a atenção. Um olhar descritivo e coincidente encontra-se em um artigo publicado na Contraportada (Verón e Mihal, 2019).

A definição que leva a dizer que uma livraria é um lugar onde se vendem livros, e que como significado não falta à verdade, nos leva a afirmar que ela restringe o panorama do que sabemos condensa uma livraria, das experiências que se protagonizam em uma livraria, do que se espera de uma livraria.

As origens dos espaços destinados às livrarias universitárias em nosso país e especificamente nas universidades de gestão privadas são diferentes em cada instituição; motivos diversos que estão ligados à redução de custos com compras destinadas a bibliotecas, espaços para a venda das produções da editora universitária, disposição de títulos que estudantes e pesquisadores requerem assiduamente, etc. Assim, lentamente, foram se conformando, na maioria dos casos, nossas livrarias universitárias.

Iniciando sua jornada, o cotidiano foi transformador e instigante para iniciar novos desafios, exigindo um projeto com metas a serem alcançadas a médio e longo prazo; projeto que visa consolidar o espaço que envolverá diversas iniciativas culturais e ir além da oferta de catálogos das próprias editoras, induzindo os responsáveis ​​a encontrarem diversas linhas para potenciar suas livrarias.

É impossível não comentar sobre o desafio que as livrarias enfrentaram após a declaração da pandemia causada pela COVID-19; um desafio que exigiu o desenvolvimento de estratégias que permitissem responder às demandas de alunos e de professores-pesquisadores. Estando as universidades fechadas, surgiram dúvidas, mas por fim, os resultados foram satisfatórios, pois com esforço e criatividade o objetivo pôde ser alcançado com eficiência e eficácia.

Atualmente, as livrarias das Universidades Católica de Salta, Católica de Córdoba, Católica de La Plata, Católica de Cuyo, Católica de Santa Fé, Aconcágua, Adventista del Plata, Santo Tomás de Aquino, Juan Agustín Maza, Católica Argentina, somente a modo de exemplo, oferecem os catálogos das suas próprias editoras, de editoras da REUP, de editoras independentes e comerciais, realizam apresentações de livros e exposições de diferentes expressões artísticas.


A necessidade e o desafio de um projeto

Partindo da busca de ampliar a visibilidade e a difusão da produção editorial e colocando à disposição do público títulos de qualidade científica, acadêmica e cultural que produzem as próprias e outras editoras comerciais e independentes, estas livrarias abonam à democratização do conhecimento por meio da constituição de um espaço de encontro de atores vinculados com a ciência, arte e cultura.

Como qualquer projeto, foi necessário estabelecer objetivos claros e mensuráveis ​​ao longo do tempo que explicassem os avanços ou retrocessos do que era o espírito inicial, mas que foram requerendo planejamento e envolvimento dos atores institucionais; objetivos expressos em consonância com a própria identidade da instituição que as contém e com respeito e adesão à sua visão e à sua missão. Nem todas as nossas livrarias nasceram com a identidade marcada desde o início, mas elas a encontraram no decorrer do tempo.

Não ignoramos que são múltiplos os fatores que incidem para a concretização satisfatória de um empreendimento, aqui, com base na experiência, surgem dois objetivos prioritários que não podem faltar no plano de desenvolvimento de uma livraria universitária e cuja realização deve ser orientada desde o início: buscar capacitação para a profissionalização dos responsáveis da livraria ​​e promover a autossustentabilidade do projeto.

Capacitação para um melhor atendimento, para enfrentar os desafios que se colocam, para a procura, para responder aos pedidos, para a expansão, para entrar no ecossistema do livro como forma de responder às necessidades dos tempos e aos novos formatos que se instalam, para ter bases de dados informatizadas completas dos catálogos que são oferecidos.

Por sua vez, procurar que a livraria universitária seja autossustentável por seu próprio crescimento e expansão; depender exclusivamente de um orçamento atribuído pela universidade restringe e limita o cumprimento das metas propostas.


Editoras e livrarias universitárias

As universidades argentinas, tanto de gestão pública quanto de gestão privada, estão localizadas em todo o vasto território de nosso país, com cerca de 70 editoras universitárias, tendo iniciado mais da metade delas, o caminho da própria livraria. No panorama detectam-se claramente áreas com alta concentração e outras, com um espírito marcante que abona a identidade regional, o que gera uma riqueza que não podemos ignorar como atores culturais e, por sua vez, nos desafia a pensar sobre a possibilidade de iniciar ações conjuntas para aumentar a visibilidade dos catálogos, contribuir para a melhor distribuição, cumprir com a função social que nos anima e no quadro das coincidências da identidade que nos acolhe.


A título de conclusão

Compartilhei notas simples que constituem apontamentos distintivos das livrarias das universidades que integram a REUP, nascidas ao serviço da comunidade universitária mas que, com as suas conquistas, começaram a expandir-se como espaços disponíveis para acolher diversas expressões artísticas, para se profissionalizar, para promover a sustentabilidade, para estarem atentas às necessidades dos distintos estamentos, em alguns casos, à sociedade devido à sua localização privilegiada, para oferecer catálogos diversos, para aguçar a criatividade para seu crescimento.

Ainda faltam alguns saltos qualitativos, cujos esboços já enunciamos e que, sem dúvida, contribuirão para ampliar a visibilidade, porque uma livraria universitária também pode mostrar muito daquilo que não se conhece. Tudo o que se relaciona com os livros gera paixão, aquela paixão que não só é essencial, mas provocadora para gerar as sinergias que o contexto atual exige de nós.

Chartier, R. (2018). Bibliotecas y librerías: Entre herencias y futuro. CERLALC.
Verón, D. y Mihal, I. (2019). Librerías, edición y universidades nacionales en la Argentina: primeras aproximaciones. Contraportada, 4, 16-25.

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