Sandra Gisela Martín
Acesso Aberto Diamante
As bibliotecas universitárias, especialmente na América Latina, têm desempenhado um papel predominante no desenvolvimento e fortalecimento do Acesso Aberto como alternativa para a democratização do conhecimento frente aos modelos de publicação comercial. Embora o espírito do Acesso Aberto tenha sido garantir a circulação livre e equitativa do conhecimento, os modelos tradicionais de publicações científicas apropriaram-se parcialmente dessa lógica, gerando limitações e desigualdades por meio de assinaturas ou da cobrança de taxas de publicação, conhecidas como APC (Article Processing Charges).
Nesse contexto, o modelo de Acesso Aberto Diamante surge como uma resposta a essas limitações e problemáticas, buscando garantir o acesso livre e gratuito, no qual nem os leitores nem os autores pagam para acessar ou publicar. O Acesso Aberto Diamante consolidou-se especialmente nas universidades e em outros ambientes acadêmicos da América Latina como uma alternativa alinhada aos princípios e práticas da ciência aberta, uma vez que prioriza o conhecimento como bem comum em contraposição aos modelos comerciais.
Nesse cenário, tanto bibliotecas quanto editoras passaram a trabalhar de forma articulada e colaborativa para garantir uma comunicação científica mais aberta, equitativa, inclusiva e sustentável.
Sinergias entre bibliotecas e editoras
As bibliotecas e as editoras compartilham objetivos comuns relacionados à difusão e à circulação do conhecimento por meio da distribuição de conteúdos literários, acadêmicos e científicos. Nesse contexto, suas perspectivas sobre o acesso aberto favorecem a colaboração e o trabalho conjunto para construir modelos que beneficiem tanto as instituições quanto os leitores.
Por um lado, as editoras universitárias e acadêmicas contribuem com sua experiência nos processos de avaliação, edição, publicação e divulgação de livros e periódicos científicos, garantindo padrões de qualidade editorial. Por outro lado, as bibliotecas universitárias ampliaram significativamente suas funções e atualmente não apenas gerenciam coleções, mas também oferecem serviços altamente especializados voltados ao apoio à aprendizagem, à pesquisa e à produção científica, à gestão editorial, ao bem-estar estudantil e à vinculação tecnológica.
Em particular, o apoio à gestão editorial desenvolvido pelas bibliotecas universitárias adquire relevância cada vez maior dentro do ecossistema da ciência aberta. As bibliotecas participam ativamente da administração de plataformas editoriais como o Open Journal Systems (OJS) para periódicos científicos e acadêmicos, o DSpace e o EPrints para repositórios institucionais, bem como o Open Monograph Press (OMP) para a publicação de livros em acesso aberto.
Além disso, desenvolvem atividades relacionadas à gestão, normalização e curadoria de metadados para melhorar a interoperabilidade e a visibilidade das publicações; à aplicação de normas e estilos de citação; à atribuição de identificadores persistentes como DOI e ORCID; à preservação digital para garantir o acesso de longo prazo; à implementação de critérios de qualidade editorial de acordo com os sistemas de avaliação científica; à assessoria em processos de indexação; à capacitação em direitos autorais e licenças Creative Commons; ao controle de similaridade e integridade acadêmica; e ao acompanhamento técnico e metodológico das equipes editoriais.
Reflexões finais
É importante enfatizar que as bibliotecas e as editoras já não funcionam como áreas isoladas dentro das universidades, mas como atores estratégicos e complementares no ecossistema da comunicação científica aberta. Nesse sentido, o modelo de Acesso Aberto Diamante favorece e consolida essas sinergias por meio do trabalho colaborativo voltado ao fortalecimento de políticas institucionais de acesso aberto e ciência aberta.
O objetivo final dessas ações é promover a democratização e a difusão do patrimônio documental universitário em Acesso Aberto Diamante, integrado por portais de periódicos científicos, repositórios institucionais e plataformas de livros em acesso aberto. Essas infraestruturas permitem reunir, organizar, armazenar, preservar e disseminar de forma aberta a produção acadêmica e científica das universidades. Além disso, esse patrimônio possui significativo valor histórico, cultural e científico, constituindo-se como um bem público que resguarda e transmite a memória intelectual das instituições universitárias para fins de consulta, pesquisa e preservação. Nesse contexto, o modelo de Acesso Aberto Diamante posiciona-se como um eixo fundamental para garantir o acesso aberto, sustentável e equitativo ao conhecimento científico.
