Rocío Aguilar Sánchez
Culturalmente, a América Latina é rica em muitos aspectos, entre eles, o linguístico. No âmbito das universidades e da pesquisa acadêmica reside a responsabilidade de resgatar as línguas faladas na região com o propósito de aproximar, reconhecer e compartilhar essa riqueza cultural.
As línguas Tseltal, Tsotsil, CH’ol, Tojol-ab’al e Zoque são o ponto de partida de uma iniciativa do Centro de Estudios para el Desarrollo Municipal y Políticas Públicas (CEDES) da Benemérita Universidad Autónoma de Chiapas (UNACH), no México, que surgiu como um projeto de Divulgação científica com pertinência cultural, por meio da plataforma virtual https://cedes.unach.mx/pertinenciacultural/, a qual foi vencedora do 2º lugar no Certamen de Innovación en Transparencia 2022. Seu objetivo é aproximar o conhecimento científico das comunidades indígenas em suas próprias línguas, reconhecendo nelas não apenas um meio de comunicação, mas uma forma de compreender o mundo.
Esse esforço é resultado de uma colaboração profunda e generosa com a Universidad Nacional Autónoma de México, a Universidad Autónoma Metropolitana e o Instituto Chiapaneco de Educación para Jóvenes y Adultos, assim como do trabalho de uma equipe multidisciplinar de acadêmicos e cientistas comprometidos com o respeito às línguas e às pessoas que as falam.
Projetos como “Divulgação científica com pertinência cultural” e “Ciência aberta: comunicação do conhecimento” demonstram que a ciência pode dialogar com os saberes comunitários e expressar-se em línguas originárias, ampliando seus alcances e fortalecendo seu impacto social.
No marco do 50º aniversário da universidade, o projeto foi selecionado como um evento emblemático por seu impacto social. A partir disso, as infografias que nasceram na virtualidade transformaram-se em uma exposição física, apresentada inicialmente na Feira do Livro UNACH 2025 em Tuxtla Gutiérrez e atualmente na Casa Chiapas, na Cidade do México, com projeção como mostra itinerante. Essa exposição reforça a importância de visibilizar a riqueza pluricultural do estado e o compromisso com uma divulgação científica inclusiva.
Os mestres tradutores, coração e voz deste projeto, são: em Tseltal, Ramón Vázquez Cruz; em Tsotsil, Juana Agustina Sánchez Ramírez; em CH’ol, Margarita López Vázquez; em Tojol-ab’al, Alejandro Díaz Cruz; e em Zoque, Irama García Jiménez.
A mostra contempla diversas séries, como “Mulheres Maias do Conhecimento”, “Mulheres na Ciência”, “Ciência em Casa”, que aborda temas como o âmbar, o pox, os pratos típicos e os agroquímicos; assim como a série “Eclipses”. Da mesma forma, apresenta-se uma seleção de vídeos sobre afro-mexicanos, migração, âmbar, consumo de refrigerantes e medicina tradicional, entre outros.
Desse modo, a UNACH em línguas projeta o trabalho coletivo e a certeza de que a diversidade linguística enriquece a sociedade.




