Ibero-América: um espaço comum. O que nos une, o que nos pertence

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Há vários anos que as associações nacionais de edição universitária e
acadêmica ibero-americanas procuram e desenvolvem formas de partilhar a
produção editada e publicada pelas editoras que as integram; incentivam o
aprofundamento de debates sobre múltiplos temas e, acima de tudo,
estabelecem pontes para promover um bem maior: a ciência ao alcance da
sociedade. As mulheres e os homens que fizeram parte e que agora
permanecem entendem que as maiores conquistas são possíveis através do
trabalho conjunto.
A trajetória e a experiência de cada um dos projetos editoriais em cada
uma das instituições de ensino superior da região ibero-americana vêm somar-se
às discussões necessárias sobre a universidade que diversos organismos
realizam para o desenvolvimento e o avanço de temas comuns. Na agenda dos
debates sobre o ensino superior, as unidades editoriais vêm ganhando terreno; a
sua existência no organograma institucional vai além de contar com uma unidade
de publicações; as complexidades do mundo atual exigem que estas unidades
estabeleçam estratégias que vão além da produção de conteúdos.
A necessidade de promover o multilinguismo, fomentar a multilateralidade
com outros setores; proteger os acervos que representam as línguas e o seu
capital simbólico no espaço ibero-americano; influenciar as políticas públicas em
matéria de ciência; garantir o direito de acesso aos conteúdos publicados pela
universidade, o direito à leitura, o direito à ciência, com o claro objetivo de
assegurar uma correta apropriação social e cidadã da mesma. Estes, entre
outros temas, são o que estimula o trabalho em rede, para que possamos ser
garantes de discussões que fortaleçam o trabalho das instituições de ensino
superior, em particular a partir das suas editoras universitárias, e que cada um
dos eixos que possibilita as discussões a partir das unidades de publicação

conduza a que a sociedade exerça de forma efetiva a democracia.
Com o objetivo de fortalecer e fazer avançar os debates necessários para
a sociedade e, em particular, para o ensino superior, as redes nacionais de edição
universitária e acadêmica da Ibero-América concretizaram, na Feira Internacional
do Livro de Guadalajara, no passado dia 3 de dezembro de 2025, a criação do
Conselho Ibero-Americano de Edição Universitária e Acadêmica (CIDEUA). Após
várias discussões entre a Associação de Editoras Universitárias da América
Latina e do Caribe (EULAC), a Associação Brasileira de Editoras Universitárias
(ABEU), a Rede de Editoras Universitárias Nacionais da Argentina (REUN), a
Rede de Editoras de Universidades Privadas da Argentina (REUP), a Rede de
Editoras Universitárias Chilenas (REDUCH), a Rede de Editoras Universitárias do
Equador (REUDE), a Rede de Editoras Universitárias e Acadêmicas do Peru
(EUPerú), a Associação de Editoras Universitárias da Colômbia (ASEUC), a Rede
de Editoras Universitárias Públicas da Costa Rica (EDUPUC), a Rede de Editoras
Acadêmicas de El Salvador (Exlibris), a Associação de Editoras Universitárias e
Acadêmicas do México (ALTEXTO), o Grupo de Editoras Universitárias Jesuítas
da América Latina (AUSJAL), o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais
(CLACSO), a União de Editoras Universitárias Espanholas (UNE) e a Associação
Portuguesa de Editoras de Ensino Superior (APEES), e com a representação da
Guatemala e da República Dominicana, formalizaram a constituição.
As linhas estratégicas de colaboração inicialmente propostas dizem
respeito à qualidade e às boas práticas editoriais, à construção de um catálogo
ibero-americano de publicações académicas e universitárias, à valorização da
iniciativa Enlazadas para promover a divulgação e a circulação do conhecimento,
à promoção do acesso aberto, a criação de um projeto que reúna as revistas
académicas da região, o fomento da investigação sobre o livro académico, o
planeamento de ações conjuntas no âmbito de fóruns e feiras do livro, o avanço
na possibilidade de desenvolver condições para favorecer a circulação de
conhecimentos e a promoção da mobilidade do pessoal das editoras para
promover a sua capacitação.
De acordo com o proposto na FIL Guadalajara, no passado dia 5 de

fevereiro de 2026, foram nomeados os membros do Conselho de Edição
Universitária e Académica para o primeiro mandato: Lía Castillo Meneses, María
Isabel Cabrera García, Sayri Karp Mitastein, Alejandra González Barranco, Juan
Felipe Córdoba Restrepo, João Carlos Canossa Mendes, ficando pendente a
nomeação da pessoa que a APPES designará por Portugal. Esta nova instância
junta-se às já existentes para proteger e fortalecer a cultura editorial na e a partir
da instituição universitária, e constitui uma ferramenta poderosa para elevar a voz
a favor da publicação e circulação do conhecimento. As tarefas que este novo
conselho enfrenta são muitas, mas é animado pela responsabilidade de
apresentar resultados em benefício de todos. Pensar o editorial a partir da
universidade e da academia no espaço ibero-americano é um projeto de todos;
poder construir em conjunto é o que une este esforço que se soma para unir e
promover diálogos e discussões na Ibero-América e, desta forma, fortalecer o
presente e traçar caminhos para o futuro comum que deve animá-la.

Breve esboço biográfico do autor: Juan Felipe Córdoba Restrepo é o diretor da Editora da
Universidade de Rosário, na Colômbia. Historiador, professor e promotor da publicação
académica, foi presidente da EULAC de 2009 a 2015.

⬇️ Descargar declaratoria en español

⬇️ Baixe a declaração em português

 

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